segunda-feira, dezembro 18, 2006

"Ao Comandante Fidel Castro

1. de Abril de 1965
"Ano da Agricultura"
(Lida por Fidel Castro a 3 de outrubo de 1965, em praça pública, por ocasião da apresentação do Comitê Central do Partido Comunista Cubano)

Havana

Fidel:

Lembro-me nesta hora de muitas coisas, de quando te conheci na casa de Maria Antónia, de quando você me propôs ir junto, de toda a tensão dos preparativos.
Um dia alguém passou perguntando quem deveria ser avisado em caso de morte, e a possibilidade real do fato golpeou-nos a todos. Depois soubemos que era verdade, que numa Revolução ou se vence ou se morre (se ela for verdadeira). Muitos companheiros ficaram ao longo do caminho para a vitória.
Hoje tudo tem um tom menos dramático porque já amadurecemos, mas o fato é o mesmo. Sinto que cumpri a parte de meu deverque me ligava à Revolução Cubana em seu território e me despeço de ti, dos companheiros, de teu povo que já é meu.
Demito-me formalmente de meus postos na Direção do Partido, do meu cargo de Ministro, de minha patente de Comandante, de minha condição de cubano. Nada legal me liga a Cuba, apenas laços de outro tipo, que não se podem romper como as atribuições.
Fazendo um rápido balanço de minha vida passada, creio haver trabalhado com suficiente honestidade e dedicação, para consolidar a vitória revolucionária. Minha única falta, de certa gravidade, foi não haver confiado mais em ti desde os primeiros momentos de Sierra Maestra e não haver entendido com rapidez suficiente tuas qualidades de líder e revolucionário. Vivi dias maravilhosos e senti ao teu lado o orgulho de pertencer ao nosso povo nos dias luminosos e tristes da Crise do Caribe.
Poucas vezes brilhou mais alto um estadista quanto naqueles dias, orgulho-me também de haver seguido teus passos sem vascilações, identificado com a tua maneira de pensar e de ver e de apreciar os perigos e os princípios.
Outras terras do mundo reclamam o concurso de meus modestos esforços. Eu posso faze aquilo que te é negado pela tua responsabilidade à frente de Cuba e chegou a hora de separar-nos.
Saiba-se que faço isso com um misto de alegria e de dor; deixo aqui o mais puro das minhas esperanças de construtor e os mais amados dentre meus entes queridos... e desixo um povo que me admitiu como um filho; isso dilacera uma parte de meu espírito. Nos novos campos de batalha carregarei a fé que me inculcaste, o espírito revolucionário de meu povo, a sensação de cumprir com o mais sagrado dos deveres: lutar contra o imperialismo onde quer que ele esteja; isto reconforta e cura sobejamente qualquer ferida.
Digo mais uma vez quer liberto Cuba de qualquer responsabilidade, salvo a que emanar de seu exemplo. Se me chegar a hora definitiva sob outros céus, meu último pensamento será para este povo e especialmente para ti. Agradeço aquilo que me ensinaste e teu exemplo, ao qual tentarei ser fiel até às últimas consequências dos meus atos. Digo que sempre me identifiquei com a política externa da Revolução e que assim permaneço. Que no lugar onde eu estiver sentirei a responsabilidade de ser revolucionário cubano e agirei como tal. Que não deixo aos meus filhos e minha mulher nada de material e isto não me aflige: alegra-me que assim seja. Que não peço nada para eles, pois o Estado lhes dará o suficiente para viver e educar-se.
Teria muitas coisas a dizer, a ti e ao noso povo, mas sinto que são desnecessárias, as palavras não podem exprimir o que eu sinto, e não vale a pena sujar mais papel.
Até a vitória sempre. Pátria ou Morte!
Abraça-te com todo o fervor revolucionário,

Che"

Retirado do livro "Che Guevara - Cartas", tradução de Juan Martínez de la Cruz, Edições Populares, 1980.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Frases feitas

Eu assumo que não sou fã das chamadas "frases feitas". Aquelas que você recebe frequentemente pelo seu "amigo" internético, direcionado a todos os "amigos" dele pelo Orkut, por exemplo.

Esclareço: acredito que a c0mplexidade humana tem mais detalhes que aquilo exposto em uma única frase. E obviamente, a simplicidade de uma sentença não pode abranger o universo de possibilidades que estão disponíveis a nós ao tomarmos nossas decisões diárias.

Mas mesmo assim, me enviaram uma interessante, e aqui vai:

"Existem três coisas que não voltam atrás:
a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida..."

Não pude conter meu consentimento de que é realmente verdade. Acho que é por isso que devemos pensar antes de falarmos algo, ou agirmos. Mas somos humanos. Se fizermos algo que nos arrependamos, perdoemo-nos, porque só podemos corrigir aquilo que está a nossa frente. O passado já não é mais real.

Saludos.

+ Sonetos de Amor

Cem Sonetos de Amor
Pablo Neruda

Soneto LXXXVII (Noite)

"(...)
Solidão, dá-me o sinal de tua incessante origem,
o apenas caminho dos pássaros cruéis,
e a palpitação que sem dúvida precede
o mel, a música, o mar, o nascimento.

(Solidão sustentada por um constante rosto
como uma grave flor sem cessar estendida
até abarcar a pura multidão do céu.)
(...)"

domingo, dezembro 03, 2006

Cem Sonetos de Amor

Por favor, imploro que não me classifiquem por pessimista. É apenas palavras de algo lido que explora um confim da alma que por vezes nos atormenta. Mas que nos faz grandes. Permitam-me chorar simplesmente por assim querer, e por sofrer pelo fato de querer e não poder.

Soneto LV (Tarde)

"Porque a vida pega como cólera ou rio
e abre um túnel sangrento por onde nos vigiam
os olhos de uma imensa família de dores."

Soneto LVII (Tarde)

"MENTEM os que disseram que eu perdia lua,
os que profetizaram meu porvir de areia,
asseveraram tantas coisas com línguas frias:
quiseram proibir a flor do universo."

Cem Sonetos de Amor
Pablo Neruda